Apesar da burocracia, aumenta o número de eventos gratuitos nas ruas do DF

por Leonardo Machado 277 views0

Festas e shows confirmam a criatividade de artistas e produtores culturais em driblar os tempos de crise

A produção cultural brasiliense tem sido cada vez mais pulsante. Seguindo a tendência das grandes metrópoles, os espaços arborizados e monumentais da cidade projetada por Lucio Costa recebem nos últimos anos um número expressivo de eventos públicos. Um levantamento realizado pela Administração do Plano Piloto confirma essa tendência: em 2015, foi registrada a realização de 350 eventos gratuitos.
Entre janeiro e abril deste ano, foram viabilizadas 136 manifestações culturais. Para os próximos dois meses, o órgão prevê 50 eventos em áreas públicas. O movimento tem impulsionado a agenda de cultura da capital em tempos de crise.

Brasília é uma cidade que está pulsando e acho que todos esses eventos são de extrema importância para a cultura da cidade. Em um momento de escassez financeira, essas atividades gratuitas chegaram para suprir uma lacuna — ressalta o administrador do Plano Piloto Marcos Pacco.

Aliado ao contexto que favorece esse perfil de evento, estão nomes consagrados da cidade que abriram caminhos aos que desejam seguir carreira na área de produção. A burocracia para organizar um evento gratuito se transforma no principal desafio enfrentado pelos artistas e produtores. O ator Gabriel Marques, produtor da Cia. Circênicos e do Festival Internacional de Artistas de Rua de Brasília (FestiRua), precisou conhecer com mais afinco o universo da produção.

Muitas vezes, tirei o foco dos ensaios para aprender a resolver problemas burocráticos, o que interfere bastante nos espetáculos. Vários pontos culturais deveriam ser encarados como espaços culturais a céu aberto, o que facilitaria a realização dessas atividades — sugere o artista em entrevista.

Picnik - público 1 crédito Divulgação

Com grande experiência em produção cultural, um dos criadores da festa Criolina e do bloco carnavalesco Aparelhinho, Rodrigo Barata aliou o ofício de produção ao trabalho artístico por necessidade. Ex-integrante da banda de hardcore Pão com Ovo, formada na década de 1990, ele era um dois responsáveis por várias atividades de comunicação e administração do grupo.

Barata acredita que o delicado momento econômico do país impulsiona a nova geração à criatividade. “Em momentos de crise, coisas interessantes acontecem. O Aparelhinho é prova disso. É um equipamento de som movido à força humana que precisa de um pequeno gerador de energia”, detalha o artista, que vislumbra nos eventos públicos um poder além da garantia de entretenimento.

A ocupação dos espaços públicos com esse tipo de evento diminui a marginalidade, traz iluminação aos locais, faz a inclusão de moradores de rua a um contexto social e potencializa as ações culturais. Com o diálogo mais fluido entre os órgãos envolvidos, a tendência é que essas festas se multipliquem cada vez mais — destaca o artista.

A visita a vários órgãos vinculados ao Governo do Distrito Federal para retirar alvarás pode estar entre um dos desafios de preparar eventos gratuitos em locais públicos. Outro fator agravante que está entre as maiores queixas dos profissionais do ramo está na liberação dos laudos técnicos do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e Vigilância Sanitária, que depende da montagem da estrutura do evento.

Às vezes, precisamos pagar três dias de diárias. Quando se trata de um evento gratuito, isso se torna quase inviável — afirma Barata.

Os produtores entrevistados pelo Correio foram unânimes ao dizer: é preciso repensar o formato burocrático para realizar esse tipo de programação.

O ideal seria ter a centralização dos órgãos envolvidos em um único local. Precisamos de funcionalidade. Caso contrário, pessoas com boas ideias podem desistir de fazer eventos assustadas com essa burocracia — alerta Barata.

O produtor e músico Cacai Nunes aproveitou a tendência de eventos a céu aberto para tornar itinerante o projeto Forró de Vitrola, evento destinado ao ritmo nordestino consagrado na agenda da cidade. Em junho do ano passado, o aporte de uma Kombi 1973 reformada por Cacai com caixas de som acopladas e espaço para o transporte de vinis garantiu mobilidade.

Existe um valor agregado pelo fato de a Kombi ser da época de grande parte do acervo que toco. Além disso, tenho menos burocracia e ganhei mais autonomia — ressalta Cacai, que considera o veículo uma verdadeira sede itinerante do projeto.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelos produtores, Cacai afirma que o próprio clima da cidade favorece a atividade.

Somos abençoados com quatro meses de seca. São quatro meses sem chuva propícios a eventos ao ar livre. Numa cidade com um céu bonito como o nosso, é importante pensar em diversidade cultural em locais abertos.

O que vem por aí

Palco Surf Sessions

Apresentação da banda de reggae Surf Sessions.

Eixão do Lazer 215 norte. Todos os domingos de junho.

Rock na Ciclovia

Apresentação de bandas de rock e encontro de food trucks.

Eixão do Lazer 115 Norte. Dia 22 de maio.

Lake Sound

Apresentações das bandas Marssal, Dawnjones e Augusta.

Calçadão da Asa Norte. Todas as sexta­feiras de maio.

Eventos fixos

A Praça é Nossa

Encontro de food trucks.

Praça do Cruzeiro Eixo Monumental. Às sextas-feiras.

Cerva no Parque

Encontro de food trucks.

Estacionamento 10 do Parque da Cidade. Mensal (com data a divulgar).

Confronto Sound System

Encontro de DJ s de música eletrônica.

Setor Comercial Sul (em frente a estação de metrô Galeria).

Dançar charme é bom D +

Aula de dança com professor Petrônio Paixão.

Praça da Torre de TV. Trimestral (com data a divulgar)

Entre Olhares

Encontro que promove a conexão humana por meio do olhar.

Praça do Museu da República. Bimestral (com data a divulgar)

Música na Árvore

Apresentação de músicos com repertório de música brasileira.

Estacionamento 13 do Parque da Cidade. Bimestral (com data a divulgar).

Quinta Cultural

Encontro de food trucks e food bikes com apresentações musicais.

Setor Comercial Sul qd.4 (ao lado do Museu dos Correios). Às quintas-­feiras.

Quartas Musicais

Apresentações de chorinho, samba, MPB, jazz, sertanejo e rock.

Setor Comercial Sul – Praça do Trabalhador. Às quartas-­feiras.

Som Ar

Encontro de trucks com discotecagem.

Calçadão da Asa Norte. Aos sábados.

Sunset Food Truck

Encontro de food trucks.

Praça do Cruzeiro Eixo Monumental. Aos domingos.

Traga a vasilha

Encontro de percussionistas amadores e profissionais.

Praça do Museu da República. Todas as últimas sextas-­feiras do mês.


Confira todos os passos para organizar um evento gratuito em área pública

PEQUENO

1º Enviar um ofício para a Subsecretaria de Ordem Pública e Social (SOPS) para comunicar o evento. O órgão analisa a viabilidade dos eventos: ela pesquisará eventos que acontecem em locais próximos e garante que um evento não impacte outro negativamente. Em caso afirmativo, a prioridade é automaticamente do evento que fez a solicitação com mais antecedência.

2º Caso o evento ocorra em área tombada, protocolar um ofício de anuência ao IPHAN.

3º Fazer um ofício para a Vara da Infância e Juventude. Em caso de eventos voltados a maiores de idade, é preciso especificar a informação no documento.

4º Assinar um termo de comprometimento com a recuperação do logradouro público: o produtor precisa se comprometer a entregar o local nas mesmas condições que estava anteriormente. Caso contrário, o poder público pode mover uma ação judicial para a pessoa para que ela pague os custos.

5º Alugar banheiros químicos e gerador de energia e apresentar o contrato à Administração do Plano Piloto.

6º Se o evento precisar de uma estrutura com tendas, é preciso apresentar uma Autorização de Responsabilidade Técnica (ART) emitida pelo Conselho de Engenheiros e Arquitetos (CREA). Para isso é preciso contratar um engenheiro ou arquiteto para traçar um mapa de planejamento do evento indicando as estruturas.

7º Protocolar uma carta de anuência ao Detran caso haja a necessidade de fechar uma via pública.

MÉDIO

1º Enviar um ofício para a Subsecretaria de Ordem Pública e Social (SOPS) para comunicar o evento. O órgão analisa a viabilidade dos eventos: ela pesquisará eventos que acontecem em locais próximos e garante que um evento não impacte outro negativamente. Em caso afirmativo, a prioridade é automaticamente do evento que fez a solicitação com mais antecedência.

2º Caso o evento ocorra em área tombada, protocolar um ofício de anuência ao IPHAN.

3º Fazer um ofício para a Vara da Infância e Juventude. Em caso de eventos voltados a maiores de idade, é preciso especificar a informação no documento.

4º Se o evento precisar de uma estrutura com tendas, é preciso apresentar uma Autorização de Responsabilidade Técnica (ART) emitida pelo Conselho de Engenheiros e Arquitetos (CREA). Para isso é preciso contratar um engenheiro ou arquiteto para traçar um mapa de planejamento do evento indicando as estruturas.

5º Assinar um termo de comprometimento com a recuperação do logradouro público: o produtor precisa se comprometer a entregar o local nas mesmas condições que estava anteriormente. Caso contrário, o poder público pode mover uma ação judicial para a pessoa para que ela pague os custos.

6º Alugar banheiros químicos e gerador de energia e apresentar o contrato à Administração do Plano Piloto. Também é preciso contratar brigadistas e UTI móvel. A quantidade é definida pelo órgão. Os documentos que comprovam as contratações devem ser entregues à administração até o último dia útil que antecede o evento.

7º Protocolar uma carta de anuência ao Detran caso haja a necessidade de fechar uma via pública.

8º Fazer um ofício para a Secretaria de Segurança Pública. Ela garante que os bombeiros e um efetivo da Polícia Militar fiquem de prontidão para o evento.

9º Para a segurança patrimonial (caixas de som, computadores, etc) é preciso contratar empresa de segurança privada.

10º Na véspera ou no dia do evento – a pedido da Administração do Plano Piloto – o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e a Vigilância Sanitária preenchem laudos técnicos para avaliação da estrutura do evento. “Quanto mais cedo montá-la, maior a garantia de que o evento será realizado”, afirma o administrador do Plano Piloto Marcos Pacco.

GRANDE

1º Enviar um ofício para a Subsecretaria de Ordem Pública e Social (SOPS) para comunicar o evento. O órgão analisa a viabilidade dos eventos: ela pesquisará eventos que acontecem em locais próximos e garante que um evento não impacte outro negativamente. Em caso afirmativo, a prioridade é automaticamente do evento que fez a solicitação com mais antecedência.

2º Caso o evento ocorra em área tombada, protocolar um ofício de anuência ao IPHAN.

3º Fazer um ofício para a Vara da Infância e Juventude. Em caso de eventos voltados a maiores de idade, é preciso especificar a informação no documento.

4º Se o evento precisar de uma estrutura com tendas, é preciso apresentar uma Autorização de Responsabilidade Técnica (ART) emitida pelo Conselho de Engenheiros e Arquitetos (CREA). Para isso é preciso contratar um engenheiro ou arquiteto para traçar um mapa de planejamento do evento indicando as estruturas.

5º Assinar um termo de comprometimento com a recuperação do logradouro público: o produtor precisa se comprometer a entregar o local nas mesmas condições que estava anteriormente. Caso contrário, o poder público pode mover uma ação judicial para a pessoa para que ela pague os custos.

6º Alugar banheiros químicos e gerador de energia e apresentar o contrato à Administração do Plano Piloto. Também é preciso contratar brigadistas e UTI móvel. A quantidade é definida pelo órgão. Os documentos que comprovam as contratações devem ser entregues à administração até o último dia útil que antecede o evento.

7º Protocolar uma carta de anuência ao Detran caso haja a necessidade de fechar uma via pública.

8º Fazer um ofício para a Secretaria de Segurança Pública. Ela garante que os bombeiros e um efetivo da Polícia Militar fiquem de prontidão para o evento.

9º Para a segurança patrimonial (caixas de som, computadores, etc) é preciso contratar empresa de segurança privada.

10º Na véspera ou no dia do evento – a pedido da Administração do Plano Piloto ou qualquer região administrativa – o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e a Vigilância Sanitária (quando houver praça de alimentação) preenchem laudos técnicos para avaliação da estrutura do evento. “Quanto mais cedo montá-la, maior a garantia de que o evento será realizado”, afirma o administrador do Plano Piloto Marcos Pacco.

ESPECIAL

1ºEnviar um ofício para a Subsecretaria de Ordem Pública e Social (SOPS) para comunicar o evento. O órgão analisa a viabilidade dos eventos: ela pesquisará eventos que acontecem em locais próximos e garante que um evento não impacte outro negativamente. Em caso afirmativo, a prioridade é automaticamente do evento que fez a solicitação com mais antecedência.

2º Caso o evento ocorra em área tombada, protocolar um ofício de anuência ao IPHAN.

3º Fazer um ofício para a Vara da Infância e Juventude. Em caso de eventos voltados a maiores de idade, é preciso especificar a informação no documento.

4º Se o evento precisar de uma estrutura com tendas, é preciso apresentar uma Autorização de Responsabilidade Técnica (ART) emitida pelo Conselho de Engenheiros e Arquitetos (CREA). Para isso é preciso contratar um engenheiro ou arquiteto para traçar um mapa de planejamento do evento indicando as estruturas.

5º Assinar um termo de comprometimento com a recuperação do logradouro público: o produtor precisa se comprometer a entregar o local nas mesmas condições que estava anteriormente. Caso contrário, o poder público pode mover uma ação judicial para a pessoa para que ela pague os custos.

6º Alugar banheiros químicos e gerador de energia e apresentar o contrato à Administração do Plano Piloto. Também é preciso contratar brigadistas. A quantidade é definida pelo órgão. Os documentos que comprovam as contratações devem ser entregues à administração até o último dia útil que antecede o evento.

7º Enviar um ofício para a Subsecretaria de Ordem Pública e Social (SOPS) para comunicar o evento. O órgão analisa a viabilidade dos eventos: ela pesquisará eventos que acontecem em locais próximos e garante que um evento não impacte outro negativamente. Em caso afirmativo, a prioridade é automaticamente do evento que fez a solicitação com mais antecedência.

8º Protocolar uma carta de anuência ao Detran caso haja a necessidade de fechar uma via pública.

9º Para a segurança patrimonial (caixas de som, computadores, etc) é preciso contratar empresa de segurança privada.

10º Fazer um ofício para a Secretaria de Segurança Pública. Ela garante que os bombeiros e um efetivo da Polícia Militar fiquem de prontidão para o evento.

11º Na véspera ou no dia do evento – a pedido da Administração do Plano Piloto –o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e a Vigilância Sanitária (quando houver praça de alimentação) preenchem laudos técnicos para avaliação da estrutura do evento. “Quanto mais cedo montá-la, maior a garantia de que o evento será realizado”, afirma o administrador do Plano Piloto Marcos Pacco.


Para saber mais sobre outros eventos que acontecem no DF acesse:

http://culturarockdf.com.br/agenda/


Matéria original: Correio Brasiliense

 

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