Banda ‘Timeout’ formada por jovens autistas estreia neste domingo no Zepelim

por Juliana Campos 1.332 views0

A proposta é incluir pessoas com neuro-diversidades em um convívio sócio-cultural por meio da música e artes em geral.

Neste domingo, 10 de dezembro, a banda Timeout se apresenta no Zepelim Burger, no Guará. O projeto do Instituto Ninar e formada por jovens com neuro-diversidades, como TEA e quadros assemelhados tem seu principal objetivo desenvolver e aprimorar habilidades sociais, lúdicas e até motoras por meio da arte.

Estamos ensaiando semanalmente pra mostrar a vocês um trabalho com muita dedicação e qualidade – afirma a banda.

Formada por Ivan (vocal),  João Gabriel (vocal), João Henrique (bateria), Matheus (vocal e teclados) e pelos terapeutas Carlos (baixo) e Paolo (guitarra) que auxiliam os jovens nas apresentações, a banda promete um ambiente com muito rock e inclusão.

O evento contará com

  • Protetores auriculares descartáveis para quem quiser escutar em volume mais baixo;
  • Voluntários treinados para orientação, organização e segurança do espaço;
  • Cardápio da hambúrgueria em formato pictografico para pessoas que não leem;
  • Funcionários orientados para o trato com pessoas com autismo e quadros assemelhados;
  • Cartilhas explicativas para o público geral para o trato com pessoas com autismo e quadros assemelhados;
  • Venda de camisetas e acessórios da banda na Kombinha azul realizada por pessoas com neuro-diversidades.

João Guilherme Videira, terapeuta e um dos coordenadores do projeto explica como o projeto surgiu:

“Sempre notamos que nossos meninos são muito musicais e tem habilidades incríveis, mas raramente têm a possibilidade de se expressar dessa forma. Montamos a Timeout como um grito à inclusão, como uma forma de dizer “hey, nós também podemos! “.

Queremos fazer música e queremos que as pessoas queiram nos assistir não porque somos uma banda de neuro-diversidade, mas simplesmente porque fazemos uma música boa de se ouvir, e ensaiamos muito para isso.

Todo ensaio os meninos precisam superar seus limites de frustração e paciência para poder se encaixar ao grupo e ao ritmo.

Para a banda o nome Timeout significa literalmente um “tempo fora” de todos os termos e técnicas de terapia, um suspiro para a diversão e a espontaneidade, isso tanto para os meninos quanto para os terapeutas.

A banda é uma explosão de mudanças: demandamos o respeito ao outro, saber seu tempo de participar, habilidades sociais para tratar os colegas e um boom para a autoestima.

Após o início dos ensaios, em agosto, notamos que alguns meninos começaram a ensaiar sozinhos em casa, o que é um verdadeiro ataque a ociosidade através da ocupação produtiva.

Meninos que não tem afinidade com música, se ocupam de outras maneiras, como é o caso do desenhista que fez nossa logo, o pequeno repórter que escreve matérias sobre a banda e o Daniel, nosso apresentador e comediante.

O projeto Timeout não é uma banda, mas sim uma proposta de inclusão através da arte (no futuro queremos compartilhar com a dança e as artes plásticas).

Todos nossos shows terão o selo “bom para todos”, o que significa que, sim, temos adaptações para que pessoas com neuro-diversidades (como protetores auriculares por conta da sensibilidade auditiva), mas queremos também a sociedade em geral presente.

O projeto Timeout, como também o Bloquinho Bom para todos e agora a Quitu na Kombinha, são grandes propostas de terapia cultural, ou seja, nesse momento deixamos de mudar os meninos para mudar um pouquinho da sociedade.”

Timeout Rock Band no Zepelim:

Estreia Timeout Rock Band!

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