Dado e Bonfá falam sobre a importância de voltar a tocar em Brasília

por Leonardo Machado 60 views0

Não se pode falar em um retorno da Legião Urbana a Brasília. Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá deixaram bem claro, inúmeras vezes, que “não há Legião sem Renato Russo”. Ainda assim, a turnê em comemoração aos 30 anos do primeiro disco da banda, que traz Dado e Bonfá no palco, tem clima de regresso. Principalmente, se lembrarmos que a última vez que o grupo se apresentou na capital federal foi em 1988, naquele infausto show que subverteu a cidade.

Desde então, os dois ex-integrantes passaram várias vezes pelo Distrito Federal, em projetos solos e juntos, mas jamais nesse formato. Daí a expectativa em torno da apresentação do próximo dia 7, quando o show Legião Urbana XXX Anos finalmente desembarca em Brasília, cidade berço da maior banda de rock do país.

Aquela noite no Mané Garrincha, em 1988, foi realmente traumática e perturbadora. Mas, tocar em Brasília é sempre um retorno, uma volta ao lugar onde tudo começou. Eu revejo os espectros da adolescência, todas aquelas bandas começando, minha vida se transformado. Não me bate uma nostalgia, mas rola uma força emotiva, algo muito bom — conta o guitarrista Dado Villa-Lobos.
O baterista Marcelo Bonfá também prefere focar nas melhores recordações.
Tenho memória seletiva. As lembranças ruins eu jogo fora. Aquela noite escapou do nosso controle porque tinha muita coisa jogando contra, desde a produção do evento até o clima da cidade. Nem meus pais, que estavam lá na arquibancada, entenderam aquele show.
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Que país é esse? 
Apesar da distância entre a Legião dos anos 1980 e a formação atual, Dado reconhece algumas similaridades, principalmente no contexto político.
Quando saímos de Brasília, ali por volta 1985, estavam rolando as Diretas Já, Tancredo Neves morria e Sarney assumia a Presidência. Hoje, temos a provável saída de Dilma, a chegada de Temer. Os momentos se parecem em termos de conturbação e conflito — afirma.
Nem por isso o show em Brasília terá ares de manifesto. Pelo contrário.
Não sei o que vai acontecer. Estamos em um período político louco e bizarro, mas vamos subir no palco para celebrar nossas vidas. A gente quer só fazer um puta show de rock e levantar alguma reflexão por meio das músicas — ratifica o guitarrista.
Bonfá confirma o discurso do eterno parceiro de banda.
A Legião nunca levantou bandeira de partido e isso permanece. Espero que as pessoas não busquem algum lado naquilo que a gente canta. Não é uma manifestação política, até porque nosso repertório fala, primordialmente, de amor.
Eles querem mesmo é encontrar a juventude brasiliense e fazer coro com o público, evocando as canções imortalizadas como hinos do rock nacional, a exemplo de Tempo perdido, Será e da contundente e inquisitiva Que país é esse?

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