Musical recria história dos Mamonas Assassinas. Apresentação neste sábado em Brasília

por Leonardo Machado 102 views0

‘Musical Mamonas’ é atração às 21h deste sábado no Ulysses Guimarães.
Atores revivem músicos e contam a própria história com som ao vivo.

Com a irreverência que marcou a curta carreira dos Mamonas Assassinas, o espetáculo “Musical Mamonas” chega a Brasília neste sábado (15) para única apresentação, no auditório máster do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. No palco, os atores contam toda a trajetória do grupo que partiu há 20 anos.

A dramaturgia não é linear e sim irreverente, como o perfil teatral do Mamonas Assassinas. O olhar dos cinco meninos de Guarulhos está retratado no texto. É como se o Dinho, Bento, Samuel, Júlio e o Sérgio contassem a trajetória do grupo desde o tempo em que eram desconhecidos, quando animavam festas de condomínios, até o reconhecimento nacional – afirma o autor, Walter Daguerre.

O espetáculo começa com a banda em um lugar parecido com o céu. Deus dá uma missão para o quinteto: contar a própria história no formato de musical. No palco, os atores Ruy Brissac, Adriano Tunes, Yudi Tamashiro, Elcio Bonazzi e Arthur Ienzura vivem um dos maiores fenômenos da música popular nas últimas décadas, usando o figurino típico, com roupas de presidiários, de Robin, Pernalonga e Chapolim.

Durante o musical, os atores tocam ao vivo releituras de sucessos como “Vira-vira”, “Robocop gay”, “Sabão crá-crá”, “Pelados em Santos”, “Uma Arlinda mulher”, “Mundo animal”, “Lá vem o alemão” e “Cabeça de bagre II”.

Mamonas Assassinas (Foto: Divulgação)

A ideia do espetáculo é brincar com o público. O texto de Dagarre, autor também de “Jim, o musical”, é repleto de descontração e escracho, características que os Mamonas mostravam nos palcos, no disco, nos programas de TV e em qualquer situação.

Sucesso a bordo da Brasília amarela

Os Mamonas Assassinas nasceram de uma banda séria, o Utopia, inspirada em nomes do pop rock, como Legião Urbana, Titãs, Cazuza e Red Hot Chili Peppers. A primeira formação tinha apenas Bento Hinoto (guitarra), Samuel Reoli (baixo) e Sérgio Reoli (bateria).

Dinho entrou para a banda depois de subir ao palco para cantar “Sweet child o’mine”, do Guns N’Roses, em uma apresentação no Parque Cecap, em Guarulhos. O público havia pedido a música, mas os integrantes não sabiam a letra. O vocalista disse que sabia, subiu ao palco e improvisou.

Integrantes da banda Mamonas Assassinas tinham a irreverência como marca registrada (Foto: Célia Alves/Arquivo Pessoal)

A transição entre Utopia e Mamonas ocorreu aos poucos. A ideia de gravar “Robocop gay”, a primeira música composta no estilo que consagraria a banda, e “Mina”, que depois se tornaria “Pelados em Santos”, surgiu em uma noite quando uma dupla sertaneja desmarcou sessão no estúdio do produtor Rick Bonadio. Dinho pediu para gravar as músicas debochadas, com arranjos bregas à la Reginaldo Rossi, para um churrasco que iria no dia seguinte.

Ao se deparar com as músicas, o produtor adorou. “Ri muito e eu resolvi ligar para termos uma reunião com a banda toda. Nessa reunião eu disse a eles que compusessem mais músicas naquele estilo e que, se misturássemos essas coisas engraçadas com rock, eu conseguiria uma gravadora”, afirmou o produtor. Em seguida vieram “Vira” e “Jumento Celestino”.

A banda queria manter o nome Utopia. Bonadio afirmou que isso não seria possível e pediu para que inventassem um novo nome. Nasceu então Mamonas Assassinas do Espaço. O “do Espaço” foi retirado. A inspiração para o batismo veio de duas frentes: a planta mamona e uma mulher com seios grandes. “Foi homenagem à Mary Alexandre, que era nossa musa inspiradora na época”, disse o produtor.

As músicas foram um sucesso e uma gravadora se dispôs a mixar um disco. Para que isso ocorresse eram necessárias mais dez canções. “No papel ele tinha quatro músicas. Na cabeça tinha umas quatro mil. Ele falou: ‘Me dá uma semana que eu faço’”, afirmou o pai de Dinho, Hidelbrando Alves.

A transformação do Utopia foi mais ampla. O tecladista Márcio Araújo saiu, deixando para Júlio Rasec o comando do instrumento. A aparência deles também mudou: no lugar dos cabelos comportados e das roupas estilo roqueiro, os Mamonas adotaram cabeleira colorida, perucas e chapéus espalhafatosos, vestidos de mulher, fantasias de Chapolin, de presidiários, entre outras.

As músicas debochadas e as roupas coloridas chamaram a atenção de um público diferente: as crianças. Para a mãe de Dinho, isso foi natural. “É muito bonito o que eles fizeram. O jeito que eles cantavam, o jeito que eles brincavam, as crianças guardaram aquilo em mente. Uma brincadeira sadia. Que as crianças curtiam.”

O primeiro e único disco levou o nome da banda. Em seis meses, o álbum vendeu dois milhões de cópias – foram três milhões no total. Os músicos se apresentaram em todo o país e em diversos programas de TV.

O último show antes de seguir para uma turnê em Portugal aconteceu no antigo Estádio Mané Garrincha, em Brasília. O jatinho usado pela banda para facilitar o transporte se chocou contra a Serra da Cantareira, nas proximidades do aeroporto de Guarulhos, justamente a cidade dos Mamonas.

O Musical Mamonas

O Musical Mamonas – Brasília


Fonte: g1.globo.com

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